Considerações sobre o Suicídio

 

O Dia Mundial da Prevenção ao Suicídio foi instituído em 2003 pela Associação Internacional para a Prevenção do Suicídio e pela Organização Mundial de Saúde, com o objetivo de prevenir o ato, através da adoção de estratégias pelos governos dos países. O Brasil integra essa campanha – denominada Setembro Amarelo desde 2014, numa iniciativa do Centro de valorização da Vida, Conselho Federal de Medicina e Associação Brasileira de Psiquiatria. Nesse dia o objetivo é falar sobre o suicídio, pensar e refletir sobre o assunto buscando identificar medidas preventivas e protetivas ao abordar as principais doenças que podem levar uma pessoa a tirar a própria vida.

 

Segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde -2016, pelo menos uma pessoa se suicida no mundo a cada 40 segundos. Os países com as maiores taxas de suicídio por cem mil habitantes são: Coreia do Norte (38,5), Coreia do Sul (28,1), Sri Lanka (28,8), Lituânia (31), Suriname (27,8), Moçambique (27,4), Guiana (26,4), Tanzânia (24,9), Cazaquistão (25,6), Eslovênia (21,8), Hungria (21,7), Japão (21,4), Letônia (20,8), Belarus (20,5) e, Nova Zelândia (15,6).

 

O Brasil, conforme os dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade - SIM / Classificação Internacional de Doenças - CID-10, em 2016 contabilizou 5,5 suicídios por 100 mil habitantes, e no Rio Grande do Sul esse número sobe para 10 em cada cem mil, quase o dobro do patamar de ocorrências em nível nacional.

 

Em 2016, 11.433 pessoas se suicidaram no Brasil. Desse total, a maior taxa de suicidas se concentrava entre a população de  40 a 49 anos, com taxa de 8 óbitos por 100 mil habitantes, seguido por faixas etárias de 20 a 29 anos e 30 a 39 com uma taxa de 7 suicidas por cem mil habitantes, cada. No Rio Grande do Sul as taxas são bem inferiores e pode ser dividida acima e abaixo de 60 anos com taxas de 2 óbitos  e 1 por 100 mil habitantes. Comparativamente ao Brasil o Estado tem taxas bem inferiores

 

Em relação ao local da ocorrência dos suicídios no Brasil, os dados mostram que 61,30% dos óbitos ocorreram em casa, 16,58% locais diversos, 14,18% em hospitais, 6,10% em via pública, 1,54% em outro estabelecimento e 0,30% em local ignorado. Dos 1.168 suicídios ocorridos no Rio Grande do Sul, em 2016, 64% faleceram em casa, 9,93% em hospitais, 6,15% na via pública, 0,50% em outros estabelecimentos de saúde, 0,23% em locais ignorados e 11,43% em outros lugares.

 

Em relação à raça tem-se que dos 1.168 suicidas gaúchos 91% eram brancos, 4 % pardos  e 4% pretos, 0,01%  indígena e 0,90% ignorado e do total dos 11.433 suicidas no Brasil , 49,81% eram brancos, 40,93%  pardos, 5,20 pretos, 2,64% ignorados, 1,05% indígena e 0,37% amarela. Os dados mostram que os brancos e os representam mais de 90% dos suicídios no Brasil.

 

As cinco maiores causas dos 11.433 suicídios  ou lesões provocadas intencionalmente no Brasil, em 2016, foram: enforcamento com 68,33% disparo por arma de fogo com calibre superior a arma de mão 5,67%, precipitação de lugar elevado 4,25%, pesticidas 4,02%, meios não claros 2,66%.  

 

No Rio Grande do Sul, em 2016, o enforcamento também é a primeira causa de suicídio com 71,58% e na sequencia as armas de fogo que não são de mão com 9,93%, armas de fogo de mão com 3,77%, precipitação em lugar elevado com 2,48% e 1,97% vão a óbito por uso de drogas.

 

As pessoas com tendência ao suicídio quase sempre têm características que vão se agravando ao longo do tempo como: não interagindo, a não ser por obrigação, não mais cuidando de si, não mais fazendo o habitual, enfim mudando o comportamento. Muitas vezes as mudanças são tão vagarosas que os familiares e os conhecidos não percebem e só vão notar quando a situação já foge do normal por isso a divulgação, os debates desse tema são importantes.

 

De uma forma geral os suicidas quase sempre têm problemas psíquicos, problemas quase sempre controláveis se os doentes  seguirem as regras médicas. Também há os suicidas de impulsos que diante de determinados fatos se matam.

 

A prevenção para o suicídio passa pela percepção da mudança de comportamento. O conhecimento dos fatores de risco é importante para que amigos e familiares possam identificar e buscar ajuda.

Os dados apresentado mostram um retrato do perfil dos suicidas e esses podem  ser aprofundados para que políticas públicas  segmentadas possam ser  incrementadas na busca da diminuição dos suicídios.

  

 

Marilia Menegassi Velloso

Mestre em Sociologia Rural