Suicídio [1]

Marilia Menegassi Velloso[2]

Por que setembro amarelo?  Porque foi selecionado como o mês internacional da prevenção ao suicídio tendo como marca esta cor escolhida pela Associação Internacional de Prevenção do Suicídio [3]

 A OMS estima que 90% dos casos de suicídio podem ser evitados quando há oferta de ajuda. Em geral, seis meses antes de consumar o ato, pessoas com pensamentos suicidas procuram ajuda com profissionais, em especial em clínicas médicas. [4]

 O primeiro relatório sobre prevenção ao suicídio da Organização Mundial da Saúde - OMS, 2015, fez um alerta: mais de 800 mil pessoas cometem suicídio por ano no mundo. Isso representa uma morte a cada 40 segundos.

 A OMS[5] (Organização Mundial da Saúde) coloca a taxa mundial de suicídios em algo entre 10 e 30 por cem mil habitantes (...) e que o suicídio já mata mais jovens que o HIV em todo o mundo para pessoas de 15 a 29 anos de idade.

 Muitos suicidas de acordo com Galvão[6]não deixam clara a razão do ato. Entretanto alguns sinais podem ser detectados como fatores de risco: como baixa valorização de si, depressão, transtornos de comportamento decorrente do uso ou abuso de drogas lícitas e ou ilícitas. Problemas financeiros, falta de perspectivas, rejeição, solidão, sentimento de incompetência, falência financeira, desemprego, pressão social devido a questões financeiras, doenças orgânicas e outras tantas. Às vezes o suicídio pode ser premeditado, outros ocorrem por impulso, e alguns são decorrentes de descuidos.

 O suicídio ainda é um tabu nos dias de hoje e isso pode dificultar ações preventivas no âmbito familiar, publico ou privado.

 1-      Muitos acham que se falarem sobre o tema podem induzir as pessoas a tomarem atitudes que levam ao óbito.

 2-      Muitos pensam exatamente o contrario: se o tema for amplamente divulgado as pessoas vão saber que há curas diversas para as situações que enfrentam, que há locais de atendimento 24 horas e os familiares poderão acompanhar melhor o comportamento dos que estão a pensar ou premeditar o suicídio, pois quase sempre o escutar, o conversar é o caminho para o reviver.

 3-      Muitas pessoas falam sobre o cansaço da vida dizendo que não é fácil o viver, falam de forma negativa, expressam-se, mas continuam a viver e a fazer as coisas do dia a dia, entretanto outros buscam conforto nas drogas licitas ou ilícitas e podem se tornar dependentes químicos, fazendo com que se alienem de si e dos outros, comportamentos que podem fazer com que pensem em suicídio.

 4-      Muitos podem se sentir deprimidos, vazios, tristes, podendo chegar a não querer sair de casa, não tomar banho, sumindo para os outros, comportamento que pode levar ao suicídio caso não percebido e tratado.

 Para os muitos que tratam sobre o tem há saídas diversas se as pessoas do entorno, familiares e amigos, tenham conhecimento dos comportamentos suicidas, pois assim podem ajudar. Há programas e órgãos que oportunizam correções de rumo para a vida, para  aqueles que quiserem.  Assim é que é importante debater a respeito do comportamento suicida para conhecer os caminhos do restabelecimento das dores dos seus familiares ou amigos. Não é um caminho mágico ou fácil, mas existe.

 Os indivíduos que tem comportamentos que podem levar ao suicídio precisam querer se tratar, sair do estado onde se encontram, precisam querer e esta busca interna de querer, a motivação, a vontade é que é  que é preciso desatar sozinho é muito difícil.

 Agora que fique bem claro, que muitos suicidas não querem ajuda por estarem no máximo do seu sofrimento ou porque racionalmente premeditaram acabar com o futuro decadente a que estão destinados pelo seu estado de saúde e não querem depender de outra pessoa para fazer as coisas básicas da vida e praticam o ato de forma racional porque  chegaram ao seu limite.

  Período – 2010-2014 – Brasil

 Os dados divulgados pelo Sistema de Informações de Mortalidade do MS/SVS/CGIAE, entre 2010 e 2014 – CID – categorias X60 a X84 tratam de atitudes autoinfligidas que levam ao óbito e que são computadas como suicídio. Em cinco anos 50.807 pessoas, no Brasil, cometeram o suicídio, em média 10.161 pessoas ano, 1,2 suicídios por hora.

 O número de suicídios contabilizados não espelha a realidade devido à subnotificações do suicídio. Elas decorrem por fatores emocionais e ou religiosos de familiares ou responsáveis que não querem se expor frente á comunidade, pelos preconceitos derivados do suicídio de um familiar ter acabado com a própria vida e pela sensação da culpa decorrente, culpa esta inexistente, incabível e que não cabe a ninguém. Não há como se estar presente sempre ao lado daquele que tomou para si o destino de sua vida, quando ele quer.

 O crescimento médio nacional de suicídios, entre 2010 e 2014, foi de 13%. Acima da média nacional ficaram 11 estados e 16 abaixo, incluindo o Distrito Federal.

 Crescimento da taxa de suicídios, por região,  em cinco anos:

 

  • Centro-oeste - 16,91%
  • Região Sudeste – 14,64%
  • Região Nordeste -12,7%
  • Região Norte – 13,02%
  • Região Sul – 7,89%

 

 Os 10 estados que ficaram acima da média nacional foram:

 

  • Goiás – 44,12%
  • Amazonas – 43,83%
  • Alagoas - 39,29%
  • Maranhão – 23,19%
  • Acre- 22,5%
  • Minas Gerais – 22,3%
  • Rio Grande do Norte – 21,17%
  • Piauí – 20,69%
  • Ceará – 16,22%
  • São Paulo 14,13%

 

  Os 10 estados que ficaram inferiores a média nacional foram:

 

  • Pernambuco -12,41%
  • Pará- 11,05%
  • Santa Catarina – 8,47%
  • Mato Grosso do Sul – 8,47%
  • Paraná – 7,38%
  • Rio Grande do Sul - 7,24%
  • Espírito Santo – 4,85%
  • Bahia – 4,4%
  • Rio de Janeiro – 3,14%
  • Paraíba – 0,64%

 Um estado não teve crescimento e cinco outros tiveram crescimento negativo.

 

  • Rondônia – 0
  • Mato Grosso – (- 2,45%)
  • Distrito federal – (-5,7%)
  • Tocantins - (-5,88%)
  • Sergipe – (-13,08%)
  • Roraima – (-55,88%)

  

No Brasil,[7] entre 2010 e 2014, o maior número de suicidas por cor/raça foi de brancos com 50,26%, seguido dos pardos com 38,97%, pretos 5,40%, ignorados 3,96%, indígenas 1% e amarelos com 0,41%.

 Nas Regiões Sul e Sudeste onde há uma maior concentração de brancos, também ocorreu a maior concentração de suicídios de brancos com 88% e 60% respectivamente. Nas demais regiões, a cor parda foi a prevalente em suicídio com 71% na Região Norte, 69% na Região Nordeste e 57% na Região Centro- Oeste.

 A cor amarela não chega a 1% de suicídio em nenhuma região e os pretos em ocorrências autoinfligidas são superiores aos indígenas exceto na região norte que os indígenas ficam em torno de 8% enquanto os pretos em 5%

 Considerando taxas de suicídio por 100 mil habitantes a Região Sul é a que concentra o maior número de suicídios com 40 ocorrências, seguido pelas regiões Centro Oeste 31, Sudeste 24, Norte 22 e Nordeste 21. A média do Brasil ficou em 26 suicídios por 100 mil habitantes, no período. As regiões mais ricas tendem a ter uma taxa de suicídio.

 Neste período, de cinco anos, os 10 estados com maiores taxas de suicídio por 100 habitantes foram:

  • Rio Grande do Sul – 50 ocorrências
  • Santa Catarina – 44 ocorrências
  • Mato Grosso do Sul com 43 ocorrências
  • Piauí – 36 ocorrências
  • Roraima 35 ocorrências
  • Tocantins 34 ocorrências
  • Goiás – 31 ocorrências
  • Ceará – 31 ocorrências
  • Acre- 30 ocorrências
  • Minas Gerais – 30 ocorrências

 Brasil  e Rio Grande do Sul - 2014

 

No Brasil, em 2014, o Sistema de informações de Mortalidade- SIM do Ministério da Saúde, divulgou que as ocorrências autoinfligidas, que levam ao óbito - suicídio chegaram a 10.653 ocorrências.  Destas, 79% eram provenientes de homens e 21% de mulheres.

 A maioria dos suicidas homens era da Região Sudeste (40,09%) seguido da Região Nordeste 22,63%, Região sul 21,71%, Regiões Centro-Oeste e Norte com aproximadamente 9% e 7% respectivamente.

 No Rio Grande do Sul dos 1111 suicídios em 2014, 7,24% a mais que em 2010, a concentração acontece dos 30 aos 59 anos sendo que 18,27% entre 50 a 59 anos, 18% entre 30 a 39 anos e 17,91% entre 40 a 49%. Diferenças insignificantes entre as faixas.

 O Rio Grande do Sul, de todos os estados e o distrito federal, foi o primeiro no ranking com 10 suicídios por 100 mil habitantes, seguido por Santa Catarina com 9. No Brasil o número de suicidas por 100 mil habitantes é de 5. O Rio Grande do Sul tem o dobro de suicidas.

 

  • Em 2014, 1. 111 pessoas se suicidaram no Rio Grande do Sul, 3 (três) suicídios / dia, 90 mortes autoinfligidas / mês. 

 

  • 79% dos suicidas eram homens e 21% mulheres. O número de suicídios de homens chega a quase 4 (quatro) vezes a mais que as mulheres. 

 

  • Dos suicidas 89% eram brancos, 5,13% pardos, 4,41% pretos, amarelos e indígenas com a mesma taxa de 0,18%. 

 

  • Dos 1111 suicidas 20, 43% tinham 4 a 7 anos de escolaridade, 16,65% entre 8 e 11 anos, 14,67% entre 1 a 3 anos, 5,31% mais de 12 anos, 2,52% nenhuma escolaridade e 40%  dos registros não tinha este campo preenchido.   

 

  • Se da totalidade dos 1111 suicidas for subtraída os sem informação, a totalidade passa a ser 662. Em relação a esta totalidade a proporcionalidade mostra que 34% têm de 4 a 7 anos de escolaridade, 28% de 8 a 11 anos, 9% 12 anos ou mais, 25% de 1 a 3 anos e 4% nenhuma escolaridade. 

 

  • Dos que se suicidaram 46% era solteiro, 29% casado, 8% separado, 6% viúvo, 12% outro ou ignorado.

 



[2] Administradora de Empresas, Administradora Pública, Especialista em Planejamento Governamental, mestre em Sociologia Rural. Servidora Pública.

[3]  Associação Internacional para a Prevenção do Suicídio (IASP) dedica-se a: prevenir o comportamento suicida, a aliviar seus efeitos, e a proporcionar um fórum acadêmico para os interessados no tema.

[4] http://portal.fiocruz.br/pt-br/content/suicidio-deve-ser-tratado-como-questao-de-saude-publica-alertam-pesquisadores

[5] http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/09/150922_suicidio_jovens_f

[6] Entrevista com o Psicólogo Bayard Velloso Galvão. Por telefone. Junho de 2016