Envelhecimento Humano

 Envelhecimento Humano                            

 Marilia Menegassi Velloso

 O envelhecimento humano, em diversos países, é um fato, as pessoas não morrem mais em média com 30 anos e sim com mais de 70. Este acontecimento é positivo porque milhões de pessoas chegam com qualidade de vida na velhice. Entretanto há os outros milhões que não conseguem, principalmente, nos países considerados emergentes e em desenvolvimento, porque a maioria, não está preparada para o envelhecimento do seu povo. O envelhecimento é reflexo do mais baixo crescimento populacional aliado a menores taxas de natalidade e fecundidade.

 O que é necessário fazer, para que os idosos tenham qualidade de vida, está claro e descrito na literatura nacional e internacional, nas pesquisas e nos estudos, é um tema amplamente abordado.

 O que ocorre é que frente à identificação das necessidades e devido à gestão financeira inadequada dos recursos o necessário não está sendo planejado e nem programado com ações concretas. É importante enfatizar que o problema não deriva somente de recursos financeiros para a infraestrutura, previdência, saúde, lazer entre outras coisas para o idoso, mas também do comportamento relacional dos indivíduos com o idoso. Muitos têm dificuldade de ter uma convivência saudável com o idoso.

 A literatura nacional e internacional mostra que envelhecer não é um pensar tranquilo, um sentir-se bem, envelhecer leva a ansiedade, a (re)inventar as perspectivas. Ninguém ensina a ninguém envelhecer. E o envelhecimento físico surge primeiro do que o psíquico, quase sempre.  Muitos idosos dizem, quando o chamam de velho: - não me percebo como tal.  Quem diz que eu sou velho? Na realidade há um regramento constitucional que define a partir de quando eu sou considerada idosa ou idoso e quais benefícios decorrem a partir deste conceito. Muitas leis,  portarias, decretos, etc.  pertinentes ao tema foram elaborados, divulgados, discutidos e dificilmente cumpridos, muitas vezes por falta de veiculação, não participação da mídia.

 Muitas histórias e dados mostram o quanto os idosos, em muitos países, são discriminados, desconsiderados e sofrem diversas violências psicológicas, emocionais, sociais ou econômicas, em vários ambientes como no trabalho, em abrigos, centros de saúde, na sua própria casa, caminhando, andando de coletivos entre outras formas que envolvem o ser humano..

  A violência contra o idoso ou a idosa independe de classe social. Os dados numéricos divulgados sobre a violência são subnotificados, não expressam a realidade, porque a violência não é denunciada por parte do idoso por vergonha, medo, reações contrárias, maiores sofrimentos, faltam de condições psicológicas ou físicas para recorrer pedindo ajuda.

 “Um senhor de 69 anos (...) relata que buscou apoio do Ministério Público sucessivas vezes, após constatar que os irmãos maltratavam a mãe, de 93 anos, em Curitiba. Segundo ele, a denúncia tornou a vítima ainda mais vulnerável. ‘Fiz tudo com segredo de Justiça, porque minha mãe não queria ser exposta. A promotora passou para a assistência social, que veio conversar com ela. Meus irmãos descobriram e passaram a ameaçar mandá-la para um asilo, caso contasse algo’, reclama. Para proteger a mãe, ele conta que foi necessário deixar o trabalho de construtor civil em Santa Catarina e mudar-se para Curitiba. Mesmo assim, a violência – que incluía exploração financeira – continuou. ‘Antes, eu conseguia notificar a promotora por e-mail. Depois, eles passaram a não receber mais, só pessoalmente. ’ Sem poder deixar a mãe para ir até a promotoria, ele recorda que foi orientado a procurar o Disque 100. ‘Liguei umas dez vezes e não consegui contato, ou não atendem ou está ocupado’, lamenta.” [1].

 A História conta que antes de 1900 a vida média beirava aos 30 anos, devido principalmente a mortalidade infantil. Hoje, em muitos países, a expectativa de vida pode superar aos 70 anos, chegando aos 86 como no Japão. Mas, infelizmente, há lugares que ainda prevalece uma vida média de 30 anos,  a mesma de antes do  inicio do século XX, como Botsuana[2] na África.

 Um dos fatores que leva a melhoria da expectativa de vida das populações decorre do desenvolvimento social, cultural e econômico, onde educação, saúde e segurança são prioritárias.

 Dados do IBGE de 2014 mostram que a esperança ao nascer[3] subiu de 74,6 anos em 2012 para de 74,9 anos em 2013 no Brasil e estudos estimam que o Brasil, país emergente, vai chegar à metade do século XXI (2050) com 30 % aproximadamente de velhos.

 Questões que abordam a velhice precisam de atitudes, de ações. O diagnóstico está ai. Agora, como os velhos serão atendidos se os recursos são escassos, mal administrados e não há um planejamento para o que esta por vir, somente teorias. Creio que teorias e levantamento para planejamento dos próximos 20 anos já se tem, são suficientes.

 O que é necessário para atender a demanda de necessidades que está chegando  é que os poderes integrados comecem a planejar a execução do que já foi diagnosticado, fiscalizando e cumprindo o que já existe nas leis.



[1]Http://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/denuncias-de-violencia-contra-idosos-sao-as-que-mais-crescem-2636azfxwao3o67cnexuxhfta

[2] http://guiadoestudante.abril.com.br/aventuras-historia/expectativa-vida-xo-morte-435891.shtml

[3]  expectativa de vida, também chamada de esperança de vida ao nascer, consiste na estimativa do número de anos que se espera que um indivíduo possa viver. Esse dado é muito importante, visto que é um dos critérios utilizados pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) para se calcular o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de um determinado lugar.