Suicídio 2019

 

Marilia Menegassi Velloso

Agosto 2019

 

 

INTRODUÇÃO

 

 

 

O Dia Mundial da Prevenção ao Suicídio foi instituído, em 2003, pela Associação Internacional para a Prevenção do Suicídio e pela Organização Mundial de Saúde, com o objetivo de prevenir o ato do suicídio, através da adoção de estratégias pelos governos dos países. A data escolhida foi 10 de Setembro, reconhecido como Setembro Amarelo. O mês é denominado amarelo porque segundo a Associação Catarinense de Psiquiatria, em 1994, um jovem americano Mike Emme tirou a própria vida no seu carro de cor amarelo – Mustang-1968 – restaurado por ele mesmo. Os pais, no dia do seu enterro, iniciaram uma campanha de prevenção ao suicídio, através de um cartão com mensagens de apoio para aqueles que estivessem passando pelo mesmo problema. No cartão estavam costuradas fitas amarelas, a cor do carro do filho.

 

O suicida não tem classe, gênero, estado civil, raça ou idade só tem uma “alma” em profundo desespero, onde o morrer é melhor que o viver. Há várias formas de uma pessoa se suicidar, mas este ato final é o término de várias amostras da sua forma de ser, falar e agir onde pequenos sinais através de pensamentos e comportamentos foram ao longo do tempo transmitidos.  90%[1] dos suicidas, conforme pesquisas e informações na área da saúde, tem transtorno psiquiátrico e se os sinais forem detectados previamente há tratamentos para que o indivíduo não acabe com a sua vida, caso queira se tratar.

 

Falar sobre o suicídio ainda continua um tabu, apesar das propagandas veiculadas, seminários e palestras, que a meu ver não são suficientes, porque são concentradas no mês setembro-amarelo e os dados mostram que as autolesões letais tendem ao crescimento conforme a Tabela 2.

 

Veicular os fatores de risco que podem levar à tentativa de suicídio através da mídia, escolas, igrejas e outras instituições deveria ser ampliado, pois os sinais poderiam ser detectados e muitos pessoas encaminhadas aos tratamentos adequados. Agora, é importante frisar que apesar de todos os cuidados, aquele que estiver mesmo a fim de acabar com a vida, vai fazê-lo.

 

A sociedade não pode temer em falar sobre causas e consequências dos fatores de risco que podem levar uma pessoa a se matar. O tema suicídio não deve ser um tabu e ninguém pode se culpar por aquele que preferiu encontrar a paz na morte.

 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) aconselha aos veículos de comunicação, quando abordarem o tema suicídio, a não entraram em detalhes sobre os métodos usados por pessoas que se suicidaram, mas falar sobre fatores de risco, métodos preventivos, locais de apoio são importantes divulgar e ampliar.

 

 

 A depressão é uma das causas principais do suicídio, agora o que leva a essa doença são múltiplos fatores, não decorre de um só problema, cada caso é um caso.

 

BRASIL

 

De 1996 até 2016, o crescimento do suicídio no Brasil, em valores absolutos, foi de 70%, enquanto a população cresceu[2] 26%, de 161.247.046 habitantes para 203.258.566.

 

O número de suicídios no Brasil, em 1996, foi 6.743 – correspondendo a uma taxa de suicídio de 4,18 por 100 mil e, em 2016, subiu para 5,62, um aumento de 35%, bem superior ao crescimento populacional no período que foi de 26%.  

 

Estudos mostram que 90% das pessoas tem algum problema de saúde quando se suicida principalmente transtornos mentais “ (...)entre os quais se destaca a depressão, representam o diagnóstico mais frequente nesses casos, presente em 36% das vítimas. Também estão relacionados ao problema a dependência de álcool (em 23% dos casos), esquizofrenia (14%) e transtornos de personalidade (10%) (...) “[3]mas e os  demais?

 

 

Em El Bosque, na cidade de Santiago[4], no Chile, “2 de fev de 2019 - Um dos velhinhos matou o outro e depois cometeu suicídio. ~(...) O acordo do casal de velhinhos foi explicado em carta deixada à família. (...) em poucas linhas, (eles disseram) que não queriam pesar no orçamento da família, que temiam adoecer e dar trabalho aos filhos e netos’” [5]

 

E agora? Isso pode ocorrer no Brasil? O país está envelhecendo. Sabe-se que há um numero cada vez maior de idosos e que mesmo com todo o amor da família, a responsabilidade e o custo dos que ficam responsáveis aumenta. Muitos filhos trabalham, ganham sua renda, mas uma pessoa idosa é uma variável, quase sempre, não computada, e não se faz a previsão. Portanto se os idosos também não se prepararam, e precisam de ajuda, o peso na família vai existir. Tanto é que a procura por acompanhantes e por cuidadoras está crescendo. Há idosos que vão num sopro e há aqueles que passam anos com doenças degenerativas sendo que algumas famílias vendem ou perdem tudo para que a pessoa viva. Os idosos estão chegando aos 90, os filhos tem entre 60 e 70, idosos cuidando de idosos. Se não forem discutidas as questões advindas da longevidade não sei o que será dos idosos brasileiros, mas há uma tendência que eles comecem a se suicidar.

 

O Ministério da saúde com bases em estudos publicados em 2017 alertou para a alta taxa de suicídio entre idosos com mais de 70 anos.

 

Em dezembro de 2018, após vários tratamentos para o câncer e o conhecimento que haveria uma piora de sua vida nos próximos anos - degradantes para o estilo de vida que levou durante quase 70 anos – fez com que um homem da classe médio-alta, inteligente e capaz acabasse com sua vida logo ao sair do hospital, sabendo que só iria piorar e a eutanásia ou morte assistida não existe no Brasil.

 

Em 23 de agosto de 2018 um menino de 9 anos se suicidou.

 

“A americana Leia Pierce está tentando transformar o luto pelo suicídio do filho em um alerta contra o bullying e a homofobia nas escolas. Jamel Myles, de 9 anos, tirou a própria vida na última quinta-feira, dia 23. Segundo a mãe, a atitude desesperada foi resultado de abusos e intimidações que ele sofreu de colegas da Escola Fundamental Joe Shoemaker, em Denver, nos EUA, após Jamel se declarar gay.”[6]

 

Há pessoas que se envergonham das dores internas pelas quais está passando e não buscam ajuda,  e outras  que falam, mas a repetição faz com que ela se torne pesada para conviver e não raras vezes as pessoas se afastam sutilmente.

 

No Brasil em 2017[7], do total de suicidas, 1,45% eram  crianças de 5 a 14 anos (182 pessoas), uma criança a cada dois dias.  Na realidade, as pessoas não são responsáveis pelo comportamento e pensamentos de outros, ainda mais quando não sabem que a mesma está num processo de sofrimento interno e que necessita de ajuda, mas fica a questão, será que mesmo a pessoa que não fala não tem comportamentos que podem mostrar uma tendência?

 

O professor Alves[8], através da Ecodebate, divulgou um ranking sobre suicídios em vários países. Os cinco países com as mais altas taxas de suicídio, Tabela 1, mostra que não há relação com o Índice de Desenvolvimento Humano. Por exemplo, a Lituânia com a mais alta taxa de suicídio também tem o mais alto IDH 0,839. A Guiana tem um IDH inferior ao Brasil e têm quase seis vezes mais suicídios. Parece que questões sociais e econômicas não são fatores de indução a lesões fatais auto-infligidas.

 

 

Tabela 1- Os cinco países com as maiores taxas de suicídios por 100 mil habitantes de 108 estudados, em valores absolutos o Brasil não se encontra entre os 108 estudados.

 

Países

Taxa por cem mil

IDH[9]

Lituânia

31,9

0,839

Rússia[10]

31

0,798

Guiana

29,2

0,636

South Korea

26,9

0,898

Belarus

26,2

0,798

.........

........

........

Brasil

5,62

0,755

Observação: há uma diferença no Brasil do Ranking que tem 6,5 por mortes por cem mil com o calculo feito pela autora. Creio que a diferença de 6,5 para 5,62 se deva a utilização da população utilizada para o cálculo de taxa.

 

No Brasil conforme a Agencia de Saúde Nacional[11] mais de 60.000 mil suicídios ocorreram  de 2011 a 2016, 62% por enforcamento e 79% foram homens.

 

O sexo considerado “mais forte” é o que mais se mata. Quais os fatores que levam a essas mortes? Dizem os pesquisadores que aproximadamente 90% dos suicidas tendem a ter transtornos mentais, se assim for os suicidas-homens precisam de ajuda. Mas pouco se escuta sobre os transtornos mentais em homens, o tema geralmente está mais relacionado à mulher. Seria interessante aprofundar fatores de risco de homens e mulheres para focar melhor na prevenção. Doenças mentais são grandes tabus ainda e o que se pode dizer é que como as demais doenças crônicas elas têm tratamento e a maioria dos fatores  é controlável com remédios.

 

Em 2017, no Brasil, o numero de suicídios foi de 12.495 e em 2016 11.433, um aumento de 9,3%. Em relação às causas que levaram a morte, a Tabela 2 mostra que nos dois anos subsequentes 2016 e 2017, as cinco primeiras causas de suicídio se mantiveram as mesmas, a saber, na ordem: enforcamento dispara de outra arma de fogo, atirar-se de um lugar elevado, autointoxicação intencional de pesticidas, lesões autoprovocadas por meios não esclarecidos e disparo arma de fogo de mão.

 

Duas causas cresceram e três diminuíram de um ano para o outro. Suicídio por enforcamento e arma de foco aumentaram respectivamente 11,22% e 9,69%, enquanto as que decresceram foram: precipitar-se de um lugar elevado (-4,31%), intoxicação por pesticidas intencional (-3,04%), disparo por outra arma de fogo, não esclarecido (-2,47) e lesões provocadas intencionalmente por meios não esclarecidos.

 

 

Tabela 2 Lesões autoprovocadas intencionalmente em valores absolutos, ordem e crescimento de 2017 em relação a 2016.

 

 

 

 

Causas

Total 2016

Ranking 2016

Total 2017

Ranking 2017

 

%

 
 

X70 Enforcamento, sufocação.

7813

1

8690

1

11,22

 

X74 Disparo de outra arma, fogo  não especificada.

648

2

632

2

-2,47

 

X80 Precipitação de lugar elevado.

487

3

466

3

-4,31

 

X68 Autointoxicação intencional a pesticidas.

460

4

446

4

-3,04

 

X84 Meios não esclarecidos.

305

5

301

5

-1,31

 

X72 Disparo de arma de fogo de mão.

258

6

283

6

9,69

 

Fonte dos dados http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/tabcgi.exe?sim/cnv/ext10uf.def.05/06/2019. Cálculo autora.

 

 

Como já mencionado quem mais se suicida no Brasil são homens. Em 2016 eles representavam 72% e em 2017 passou para 79%.  

 

Em 2016, dos 9.053 homens suicidas e das 2.378 mulheres, perfazendo  um total de 11.433, as cinco principais causas de 25 que levaram a morte foram: 72% enforcamento; 7% disparo de outra arma de fogo, não especificada; 4% precipitação de lugar elevado; 3% auto intoxicação intencional a  pesticidas; 3% disparo de arma de fogo de mão e demais 12%. As mulheres têm como causas de suicídio: 56% enforcamento; 7% precipitação de lugar elevado; 6% autointoxicação de pesticida; 6% a autointoxicação por exposição intencional a drogas anticonvulsivantes [antiepilépticos] sedativos, hipnóticos, antiparkinsonianos e psicotrópicos; 5% drogas, medicamentos e substancias biológica e as não especificadas e demais causas 20%.

 

Em 2017, dos 9.826 homens suicidas e das 2.664 mulheres, somando 12.495 mortes, as cinco principais causas de 25 que levaram a morte dos homens foram: 73% enforcamento; 6% disparo de outra arma de fogo e não especificada; 3% precipitação de lugar elevado; 3% auto intoxicação intencional a  pesticidas; 3% disparo de arma de fogo de mão; 3% por autolesão letal por meios não esclarecidos e as causas demais somam 11%. As mulheres se mataram por: 57% enforcamento; 6% intoxicação auto intencional a pesticidas; 6%; autointoxicação por e exposição intencional a drogas anticonvulsivantes, sedativos, hipnóticos antiparkinsonianos e psicotrópicos não classificados em outra parte; 5% autointoxicação  intencional  outras drogas medicamento e substâncias  biológicas não especificadas; 5 % por atirar-se de lugares autos e as demais 20 causas somam 20%.

 

Tabela 3 – Brasil, % por raça ou cor, em relação ao total das lesões autoprovocadas voluntariamente, nos anos de 2016 e 2017.

 

Ano

Branca

Preta

Amarela

Parda

Indígena

Ignorado

TOTAL

2016

49,8 %

5,2 %

0,4 %

41 %

1,0 %

2,6 %

100 %

2017

49,9 %

5,4 %

0,4 %

41,7 %

1,2 %

1,4 %

100 %

 

Fazendo a análise de suicídio por raça / cor, Tabela 3 nos anos de 2016 e 2017, os dados mostram que os brancos são os que mais se matam seguido dos pardos, pretos, indígenas e amarelos. Mesmo somando pretos com pardos, que equivale aos movimentos negros, eles se matam menos que os brancos.

 

No Brasil em 2016 a faixa etária que mais teve um incremento em suicídio  foi a de  40 a 49 anos (18%), seguidos da faixa 30 a 39 e 20 a 29 com 21% e 19% respectivamente. Em 2017, essas mesmas faixas se repetem com pequenas alterações de décimos de percentuais. Dos 20 aos 60 anos os suicídios ficam em 74%, idade altamente produtiva.

 

Tabela – 4  Brasil suicídios por faixa – etária, anos de 2016 e 2017.

Categoria X60-X84 C10

 

 

Faixa etária

% Suicídio 2016

Suicídio 2017

5 a 9 anos

0,05

0,06

10 a 14 anos

1,25

1,39

15 a 19 anos

6,59

6,99

20 a 29 anos

19,24

19,13

30 a 39 anos

21,08

20,96

40 a 49 anos

18,32

18,14

50 a 59 anos

15,76

15,43

60 a 69 anos

9,66

10,12

70 a 79 anos

5,43

5,27

80 anos e mais

2,37

2,3

Idade ignorada

0,24

0,21

Total

100

100

 

Fonte: Óbitos por Causas Externas – Brasil http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/tabcgi.exe?sim/cnv/obt10uf.def

 

A população de idosos, 60 anos ou mais anos, representou em 2016 17% dos suicídios e em 2017 passou para 18%.

 

É importante investir na prevenção do suicídio principalmente a partir da adolescência para todos os gêneros, considerando que os homens são os  que mais se suicidam. Importante mostrar que o homem tem sentimentos e o chorar, buscar apoio, tomar remédios, sentir-se triste é do ser humano.

 

 

REGIÃO SUL E RIO GRANDE DO SUL

 

O suicídio cresceu 9% no Brasil, entre 2016-17, e 10% na Região Sul. Nesse período o RS teve o maior acréscimo de 15,5%, seguido de SC e PR com 10% e 2% respectivamente.

 

ESTADO CIVIL

 

A Tabela 5 retrata a situação do crescimento dos suicídios entre os anos de 2016-17 por estado civil. O Rio Grande do Sul teve mais que o dobro de suicídios de solteiros comparando com o Brasil, 23% contra 11%. Santa Catarina teve um crescimento de 11% e Paraná 3%. Ocorreu um decréscimo nos suicídios dos casados no Paraná (-8%) e Santa Catarina (-5%), em compensação o Rio Grande do Sul aumentou em 9%.  A Região Sul superou os suicídios do Brasil comparando os viúvos, ficou com 18% e o Brasil 11%. Em relação aos viúvos e separados judicialmente todos tiveram um incremento. No estado civil de viúvo Santa Catarina cresceu 33%, Paraná 16% e Rio Grande do sul 13%; nos separados judicialmente temos Santa Catarina com um crescimento de 28%, Rio Grande do Sul 9% e 7% no Paraná.

 

Tabela 5 Crescimento percentual dos suicídios por estado civil 2016 / 17, Região Sul, seus estados e Brasil.

Estados, Região Sul

e Brasil

Solteiro

% 2016-17

Casado

% 2016-17

Viúvo

% 2016-17

Separado judicialmente

% 2016-17

Paraná

2,61

-8,08

16,13

7,25

Santa Catarina

10,97

-4,47

33,33

27,59

Rio Grande do Sul

23,21

9,04

12,50

9,18

Região Sul

14,00

0,11

18,40

13,33

 

Brasil

10,89

5,96

11,17

14,94

http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/tabcgi.exe?sim/cnv/obt10uf.def >21/06/2019. Fonte: MS/SVS/CGIAE - Sistema de Informações sobre Mortalidade - SIM

 

ESCOLARIDADE

 

Em relação à escolaridade não se tem informação nos documentos de 20% dos suicidas. Assim que para a análise os que não tinham os dados foram retirados e a totalidade restante consta  na Tabela 6, anos 2016 e 2017.

 

Tabela – 6. Número de suicidas por escolaridade/estado e Região Sul, nos anos de 2016 e 2017.

 

Escolaridade 2016 - Região Sul e respectivos Estados

2016

Nenhuma

1 a 3 anos

4 a 7 anos

8 a 11 anos

12 anos e mais

Total

Paraná

27

126

237

251

76

717

Santa Catarina

13

117

206

220

66

622

Rio Grande do Sul

33

156

237

211

76

713

Região Sul

73

399

680

682

218

2052

Ano 2016 %

3,56

19,44

33,14

33,24

10,62

100,00

2017

Paraná

26

114

235

275

95

745

Santa Catarina

15

118

224

245

84

686

Rio Grande do Sul

28

161

264

284

99

836

Região Sul

69

393

723

804

278

2267

Ano 2017 %

3,04

17,34

31,89

35,47

12,26

100,00

http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/tabcgi.exe?sim/cnv/obt10uf.def >21/06/2019. Fonte: MS/SVS/CGIAE - Sistema de Informações sobre Mortalidade - SIM

 

 

A Tabela 6 mostra à escolaridade dos suicidas nos anos de 2016 e 2017, por estados da Região Sul, e o que se nota é que nos respectivos anos os que tinham escolaridade entre 8 a 11 anos de estudo foram à maioria a acabar com a vida, seguidos pelos de 4 a 7 anos e 1 a 3 anos de estudo

 

Em 2016 o primeiro estado em suicídio foi Paraná (717) seguido pelo Rio Grande do Sul (713) e Santa Catarina (622), em 2017 Rio Grande do Sul passa para primeiro lugar *(836) e Paraná para o segundo (745) e Santa Catarina está em terceiro (686). Entretanto analisando o crescimento anual de cada estado verifica-se que em primeiro lugar o maior crescimento ocorreu no estado do Rio Grande do Sul com 17,25%, seguido de Santa Catarina 20,29% e Paraná com 3,9%. Assim que é importante verificar o indicadores que se vai usar para mostrar problemas econômicos e sociais, a ordem altera.

 

O estado de Santa Catarina aparece sempre como o estado da Região Sul com o menor número de suicídios, mas quando se calcula a taxa de suicídios por 100 mil habitantes, como mostra a Tabela 7,  o primeiro estado em suicídios é Santa Catarina tanto no ano de 2016 como no ano de 2017.  A Região Sul tem a taxa de suicídios maior que o Brasil e excetuando Santa Catarina com 9 suicídios por 100 mil habitantes em 2016 e 9,80 em 2017 os demais estados ficam aquém da taxa da Região Sul.

 

 

Tabela 7 População projetada pelo IBGE em 1° de julho de  2000 a 2030 por Brasil, Regiões e Estados.

Brasil, Região Sul e Estados.

2016

2017

Total de suicídios 2016

Total de suicídios 2017

Taxa por 100 mil 2016

Taxa por 100 mil 2017

% 2017-2016

 
 

Paraná

11.242.720

11.320.892

717

745

6,38

6,58

3,18

 

Sant

6.910.553

7.001.161

622

686

9

9,8

8,86

 

Rio Grande do Sul

11.286.500

11.322.895

713

836

6,32

7,38

16,87

 

Região Sul

29.439.773

29.644.948

2052

2267

6,97

7,65

9,71

 

Brasil

204.450.649

206.081.432

11433

12495

5,59

6,06

8,42

 

 

Fonte: IBGE/Diretoria de Pesquisas. Coordenação de população e indicadores sociais. Gerencia de Estudos e Análises da Dinâmica demográfica. Projeção da população do Brasil por sexo e idade para o período de 2000 a 2016.

 

A Tabela – 8 mostra a relação de raça por suicídio nos estados da Região Sul, em 2017. É nítido que a raça branca é a que mais se suicida na Região chegando a 88% seguido pela parda com 8%, preta 3%, ignorado 0,8% amarela 0,3% e indígena 0,14%  

 

Na Região Sul, o Rio Grande do Sul é onde há a maior  concentração  de suicidas com 48% , seguido pelo Paraná com 27% e Santa Catarina com 26%.

 

A maioria dos suicidas de cor branca e preta encontra-se no Estado do Rio Grande do Sul e os pardos no Paraná, os suicidas indígenas dividem-se entre o Paraná e o Rio Grande do Sul, em 2017.

 

Importante frisar que mesmo somando os pretos e os pardos da região sul que representaria os negros nos movimentos eles são inferiores aos brancos que se suicidam. A totalidade em valores absolutos que se suicidou, em 2017, na Região Sul foi de 2862 pessoas sendo: 2518 brancas, 91 pretas, 9 amarelas, 217 pardas e 4 indígenas.

 

 

Tabela – 8 porcentagem de suicidas por raça, estados e Região sul,  ano de 2017

 

Região Sul / Estados

Branca

Preta

Amarela

Parda

Indígena

Ignorado

Total

Paraná

22,19

0,7

0,24

3,67

0,07

0,17

27,04

Santa Catarina

23,2

0,52

0,03

1,75

 

0,31

25,82

 Rio Grande do Sul

42,59

1,96

0,03

2,17

0,07

0,31

47,13

REGIÃO SUL

87,98

3,18

0,31

7,58

0,14

0,8

100

 

http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/tabcgi.exe?sim/cnv/obt10uf.def >21/06/2019. Fonte: MS/SVS/CGIAE - Sistema de Informações sobre Mortalidade - SIM

 

 

CONCLUSÃO

 

Importante frisar que os dados trabalhados refletem um momento e que não representam a totalidade dos suicídios porque há subnotificações decorrentes dos atestados de óbitos que não informam claramente as causas da morte por solicitação da família.

 

As pessoas acabam com suas vidas por várias razões. Para elas a morte é a única saída. Elas não percebem a razão do viver ou sabem que o viver vai ser tornar um peso para a família. O ato de se suicidar é impossível de controle. O que se pode é ao se perceber fatores de risco como  transtornos mentais, comportamentos alterados buscar formas de ajuda de pessoal habilitado quando esta quiser.

 

 

Algumas posturas, daqueles que buscam autolesão letal, são de forma sutil transmitida por comportamentos ou frases como: está difícil viver; não tenho objetivos na vida; o que faço aqui? Estou envelhecendo e vão gastar comigo, não poupei.  As pessoas com minha morte, diante da minha doença, vão ficar mais livres; estou incomodando a família; não sei o que fazer para pagar as contas; o que vão pensar de mim; todo dia é uma desgraça, nada dá certo, qual a razão de estar viva? E ... assim por diante. As pessoas que tem uma religião para se apoiar, porque estão sem esperança momentânea, repassam sua vida para decisão superior e aguardam os acontecimentos, deixando o tempo passar. Outros abreviam.

 

As pessoas que mais se matam são homens, brancos, em idade produtiva na Região Sul e com uma escolaridade de 4 a 11 anos, então o foco prioritário- 1

 

O que então fazer? Políticas públicas precisam ser elaboradas e executadas levando informação e formando pessoas nas escolas, associações, igrejas e instituições interessadas em âmbito regional, para que elas sejam as multiplicadoras para seus municípios dos possíveis meios de prevenção e locais de apoio.  É importante que pessoa com transtornos mentais e assessoradas sejam escutadas e que possam participar do planejamento e elaboração de uma proposta, pois estão diretamente ligadas a equação e solução das causas. 



[1]Maioria dos casos de suicídio estão relacionados a transtornos mentais. ttps://www.pfizer.com.br/content/. 22/06/2019

[2] Conforme projeção preliminar da população do Brasil por sexo e idade simples: 1980-2050 IBGE/DIRETORIA DE PESQUISAS/DEPARTAMENTO DE POPULAÇÃO E INDICADORES SOCIAIS. Divisão de estudos e analises da dinâmica demográfica.

 

[7]  Fonte: MS/SVS/CGIAE - Sistema de Informações sobre Mortalidade - SIM

[8] https://www.ecodebate.com.br. colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br